"O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar..."

01 setembro, 2009

Adaptação do dia, respiro; A fé em nós.

...era mais um dia que eu ia acordar com você na
nossa cama a me observar, mas não foi...

- Com licença, posso entrar?
Eu sei que a casa também é minha,
mas ela já tem tanto de nós, que nem me sinto
a vontade pra chegar assim, sem avisar.
Sem ao menos um prefácio, não é fácil.
Eu só vim buscar umas coisas, não pretendo demorar.
É só o tempo de separar as xícaras, os livros...

- Você está linda, parece feliz.

Respiramos fundo diante do retrato no álbum.
Os rostos ali impressos jamais poderiam imaginar
que depois de 5 anos, estariam ambos sentados na
sala de casa, após 1 ano da separação, agora sim,
com a coragem pra separar os pertences em caixas de papelão.

Estavam ambos desmontando a casa dentro e fora de si mesmos,
em cada móvel e porcelana um resquício de momentos a dois.
Diálogo já não havia, nem sopa quente nos dias de frio.
Escolhi ficar com as plantas, ponderei que elas me
fariam mais companhia do que um faqueiro de prata italiano.

Sinto falta do nosso silêncio a dois,
sinto falta dos adjetivos.
Afetos arquivados em pastas de computador.
Tudo traduz a fé em nós.
Deixarei um lembrete da próxima vez:
'Salvar nossa fé em disquete.'

- Eu sei que a culpa também é minha, mas ela já tem tanto de nós.
Vou indo, acho que fomos justos. Cuide-se bem, como há de ser.

Tudo que se repete tende a se esvair, é questão de tempo.
A felicidade esgota-se no exercício burro da repetição dos dias,
dos meses, dos anos, registradas em fotos e vídeos engavetados.
Por fim, sonhos encaixotados e lâmpadas apagadas.
Respirei fundo, dessa vez com mais força, senti MEU respirar e bati a porta.

Desci as escadas soluçando, achando tudo uma desgraça,
senti que me seguias compartilhando do mesmo desespero.

Um abraço, e a certeza do amor eterno.

- Com licença, posso ficar?

Eu te amo; Amo você.
As vezes a distância é o melhor que pode acontecer.

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