Não pessoas?
Em todo mundo está sendo comemorado o sexagenário
da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Hoje, tive o privilégio de assistir uma palestra na faculdade
a respeito do tal assunto.
Dentre os palestrantes, a que mais prendeu minha atenção
(o que é bem difícil, eu diria),
foi a coordenadora do grupo de pesquisa
e professora da UFRJ, Vanessa Oliveira Batista.
Vanessa faz uma relação de Violação de Direitos e a Pobreza.
Entre falas brilhantes., destaco um termo que, desde então,
não saiu da minha cabeça: “Os não pessoas”.
Acredito, que ela quis dizer que não pessoas, são aquelas que,
como diria um amigo meu, se tornam “invisíveis” para sociedade!
E quem seriam elas?
reclamamos por ter sopa de novo pro jantar.
Aquelas que não vemos passando
frio enquanto estamos reclamando
por não ter um casaco novo pra sair.
As que não conseguimos ver dormindo na rua quando
saímos de uma festa, e voltamos pra casa,
pois temos uma pra voltar.
Aquelas que não tiveram a oportunidade
sequer de aprender a ler,
enquanto matamos aula pra encher a cara.
Pessoas que não tem direito a família, ao abraço, ao colo, a um lar.
Não tem direito a saudade nem a poesia...
Não tem direito a nada, nem a SER.
Essa ladainha toda de Direitos Humanos que,
diga-se de passagem, foi criada por “poderosos”,
não passa de uma palhaçada hipócrita,
quando a realidade é que garantir os direitos dos pobres,
é afetar os direitos dos ricos.
Analisando esse contraste,
quem seriam na verdade, as “não pessoas”?
Quem é o mais infeliz?
Eu, dando ordem o dia inteiro?
E você, que nem sabe o que diz?”
( De quem é o poder? - Cazuza )






