"O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar..."

16 maio, 2008

Não pessoas?


Em todo mundo está sendo comemorado o sexagenário
da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Hoje, tive o privilégio de assistir uma palestra na faculdade
a respeito do tal assunto.

Dentre os palestrantes, a que mais prendeu minha atenção
(o que é bem difícil, eu diria),
foi a coordenadora do grupo de pesquisa em Direitos Humanos
e professora da UFRJ, Vanessa Oliveira Batista.

Vanessa faz uma relação de Violação de Direitos e a Pobreza.

Entre falas brilhantes., destaco um termo que, desde então,
não saiu da minha cabeça: “Os não pessoas”.
Acredito, que ela quis dizer que não pessoas, são aquelas que,
como diria um amigo meu, se tornam “invisíveis” para sociedade!

E quem seriam elas?

Aquelas que não conseguimos ver passando fome enquanto
reclamamos por ter sopa de novo pro jantar.
Aquelas que não vemos passando
frio enquanto estamos reclamando
por não ter um casaco novo pra sair.
As que não conseguimos ver dormindo na rua quando
saímos de uma festa, e voltamos pra casa,
pois temos uma pra voltar.
Aquelas que não tiveram a oportunidade
sequer de aprender a ler,
enquanto matamos aula pra encher a cara.

Pessoas que não tem direito a família, ao abraço, ao colo, a um lar.
Não tem direito a saudade nem a poesia...
Não tem direito a nada, nem a SER.

Essa ladainha toda de Direitos Humanos que,
diga-se de passagem, foi criada por “poderosos”,
não passa de uma palhaçada hipócrita,
quando a realidade é que garantir os direitos dos pobres,
é afetar os direitos dos ricos.

Analisando esse contraste,
quem seriam na verdade, as “não pessoas”?

“Prender alguém ou ser preso
Quem é o mais infeliz?
Eu, dando ordem o dia inteiro?
E você, que nem sabe o que diz?”

( De quem é o poder? - Cazuza )

15 maio, 2008

"Escrever é fugir."

Acho que foi Vinicius De Morais quem disse isso.
Não só concordo, como vivo essa fuga.
Escrever não é fazer tipo, mostrar toda a sua capacidade
em flexionar verbos,
encaixar sujeitos e predicados.

Escrever é fugir daquilo que você não quer pensar.
É vomitar palavras que te fazem sentir mais leve,
é socar o mundo com frases, é chorar em versos.

Não me faz mais ou menos feliz, talvez me torne fraca.
Escrever é a marca dos incapazes, é dar as costas para
tudo e se trancar em si mesmo.
Durante algum tempo encarei a vida,
esqueci as letras e vivi como se não existissem.
Durante algum tempo me tornei mais forte. (ao menos parecia).

Agora elas borbulham.
Num turbilhão de pensamentos que mal sei organizar,
escapam pelos olhos, bocas e dedos.
São elas: as palavras. de novo.
Suprimi-las, esquece-las, não adiantou.
elas voltam, elas sempre voltam...

Queria falar muito, mas não há o que dizer.
Dias cheios, vidas vazias...
Uma população de estranhos, apressados, caminhando em direção à nada.

=>você não entende.
Ninguém entende.
...é estranho.

Numa fração de segundo, não há mais motivo para tal.
(Não há razão).
Tanto tempo nós gastamos, não produzimos absolutamente nada.

Falo coisas inúteis, como sempre.

Palavras soltas, vomitadas numa montanha russa
de pensamentos.
e continua, sempre continua...

...Dias cheios, vidas vazias...


"Ai, que bom se eu ouvisse o meu canto por aí
Por isso, meu violão prefere emudecer
E vem pedir perdão por não poder cantar
Que, hoje, amor, melhor é não cantar."


( Canção de não cantar - Elis Regina )