"O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar..."

29 novembro, 2008

Um sábado qualquer, o vento de quase dezembro bate intransigente.

Tempestade de pensamentos tortuosos, e quando sinto que os problemas já estão me deixando a beira de um ataque de nervos, percebo que não passo de uma garotinha estupidamente preocupada.

Eu não tenho o direito de reclamar dos meus problemas,

(por mais que estes me machuquem e me enlouqueçam),
muito menos ter a mania escrota de ‘umbigar’ e achar que tudo gira ao meu redor,
pois tenho em mim, a certeza de que posso ser forte pra enfrentar tudo com fé, amor e muita confiança.

Hoje as coisas andam entre a leveza e suavidade, e o melhor do pior,
é que num estado-constante-de-mania, sou feliz a cada segundo, adotando as máximas de Cazuza.


“Alguém tentou desesperadamente
Sentir algo decente
Sou feliz, pois já fui julgada
Daqui pra frente, tudo é meu...”

(A inocência do Prazer – Cazuza)

11 novembro, 2008

Muitas vezes me encontro preocupada, ansiosa,
envolta a situações complicadas, me sentindo um tanto quanto perdida.
E é exatamente ai, que busco (e encontro), essência.

Penso.
Horas com muitas pessoas.

Dias com algumas outras.

Meses no convívio de poucas delas.
Anos...e muitas, muitas passaram.

O que fica?

Em alguns casos a memória, em outros uma lembrança,
em alguns até um saudadezinha.
E ponto...o resto é pó, que a gente assopra
E o vento se encarrega de levar tudo pra bem longe.


Repenso.

E quando não é pó, é nó?

Hoje, pensei em você!

Como já havia dito, a saudade ultimamente, decidiu doer mais do que o normal.

Um filme.
As manhãs frias e cinzas, o seu bom dia, um lugar chato com pessoas estranhas, éramos platéia.
A volta pra casa, o seu apartamento “aquele em cima do que está com a luz acesa”.

As tardes, os banquinhos, o filho imaginário,
O caderno, um mundo novo.
São Paulo, não a terra da garoa, e sim o lugar que tem o céu roxo.

Cabo Frio, carnavais, perdas, pedras, “nunca abandonar”.


Agradeço.

Obrigada por despertar em mim um pedaço que eu mesma não conhecia,
e que adormece quando você está ausente.

Só gosto do que sou, quando SOU contigo.


Confiança.

Lealdade.
Cumplicidade.

Afinidade.
Irmandade.


Você amiga-irmã, minha conquista mais significativa.

22 julho, 2008

Esqueça?

Como diria Machado de Assis, "Esquecer é uma necessidade".

Porém, me pergunto até que ponto o esquecimento é necessário,
ou melhor, se realmente é.

Seria muito conveniente se pudéssemos simplesmente nos "formatar"
e fazer uma saudável limpeza mental.

Mas ai, surge outra questão.
Se de fato, fosse assim tão simples esquecer, o que EU esqueceria?

Ia primeiro, querer esquecer as coisas ruins,
que machucaram e deixaram marcas.

Também apagaria da memória, as frustrações,
decepções, os medos, os sonhos, ilusões,
as lágrimas e algumas cicatrizes que ainda não fecharam.

Esqueceria, posteriormente, as formalidades cotidianas,
os problemas, as responsabilidades, a política,
a pouca fé e pessoas pouco importantes.

Acho que eu ia querer (muito), esquecer a distância e a saudade.

E quando a música tocasse, eu faria ela não me remeter a
nenhuma lembrança. Não enxergaria mais as cores,
não reconheceria mais os cheiros.

Esqueceria o Rio e com ele minha infância,
os carnavais de rua, os passeios de bicicleta em Paquetá,
a casa da vovó, e aquele frio na barriga ao saber que
"papai estava indo me buscar".

O céu roxo e o Frio de São Paulo,
a Vila Madá na melhor companhia;

São Lourenço e suas águas fantásticas.
Os passeios de barco e correr no lago com o "meu velho".

Cabo Frio com algumas das melhores experiências e
os melhores dias que tive.

Esqueceria todas as viagens, as paisagens, as conversas,
os bares, os copos quebrados, as risadas, os abraços,
os beijos, os olhares...Esqueceria tantas coisas.

Mas daí talvez, eu me dê conta, que estaria,
não somente esquecendo momentos, lugares,
problemas e pessoas, mas sim, esquecendo a minha vida,
com tudo de bom e ruim que eu me permiti viver,
pois mesmo que muitas vezes eu não estivesse
feliz ou satisfeita, hoje posso dizer,
que até aqui, valeu a pena cada segundo!

Então eu acho que posso humildemente, discordar do poeta.

Não esqueçam.
Isso não resolve!


"É bom olhar pra traz e admirar
a vida que soubemos fazer
É bom olhar pra frente.
É bom nunca é igual:
olhar, beijar e ouvir cantar
um novo dia nascendo.
É bom e é tão diferente."

(Dessa vez - Nando Reis)


16 maio, 2008

Não pessoas?


Em todo mundo está sendo comemorado o sexagenário
da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Hoje, tive o privilégio de assistir uma palestra na faculdade
a respeito do tal assunto.

Dentre os palestrantes, a que mais prendeu minha atenção
(o que é bem difícil, eu diria),
foi a coordenadora do grupo de pesquisa em Direitos Humanos
e professora da UFRJ, Vanessa Oliveira Batista.

Vanessa faz uma relação de Violação de Direitos e a Pobreza.

Entre falas brilhantes., destaco um termo que, desde então,
não saiu da minha cabeça: “Os não pessoas”.
Acredito, que ela quis dizer que não pessoas, são aquelas que,
como diria um amigo meu, se tornam “invisíveis” para sociedade!

E quem seriam elas?

Aquelas que não conseguimos ver passando fome enquanto
reclamamos por ter sopa de novo pro jantar.
Aquelas que não vemos passando
frio enquanto estamos reclamando
por não ter um casaco novo pra sair.
As que não conseguimos ver dormindo na rua quando
saímos de uma festa, e voltamos pra casa,
pois temos uma pra voltar.
Aquelas que não tiveram a oportunidade
sequer de aprender a ler,
enquanto matamos aula pra encher a cara.

Pessoas que não tem direito a família, ao abraço, ao colo, a um lar.
Não tem direito a saudade nem a poesia...
Não tem direito a nada, nem a SER.

Essa ladainha toda de Direitos Humanos que,
diga-se de passagem, foi criada por “poderosos”,
não passa de uma palhaçada hipócrita,
quando a realidade é que garantir os direitos dos pobres,
é afetar os direitos dos ricos.

Analisando esse contraste,
quem seriam na verdade, as “não pessoas”?

“Prender alguém ou ser preso
Quem é o mais infeliz?
Eu, dando ordem o dia inteiro?
E você, que nem sabe o que diz?”

( De quem é o poder? - Cazuza )

15 maio, 2008

"Escrever é fugir."

Acho que foi Vinicius De Morais quem disse isso.
Não só concordo, como vivo essa fuga.
Escrever não é fazer tipo, mostrar toda a sua capacidade
em flexionar verbos,
encaixar sujeitos e predicados.

Escrever é fugir daquilo que você não quer pensar.
É vomitar palavras que te fazem sentir mais leve,
é socar o mundo com frases, é chorar em versos.

Não me faz mais ou menos feliz, talvez me torne fraca.
Escrever é a marca dos incapazes, é dar as costas para
tudo e se trancar em si mesmo.
Durante algum tempo encarei a vida,
esqueci as letras e vivi como se não existissem.
Durante algum tempo me tornei mais forte. (ao menos parecia).

Agora elas borbulham.
Num turbilhão de pensamentos que mal sei organizar,
escapam pelos olhos, bocas e dedos.
São elas: as palavras. de novo.
Suprimi-las, esquece-las, não adiantou.
elas voltam, elas sempre voltam...

Queria falar muito, mas não há o que dizer.
Dias cheios, vidas vazias...
Uma população de estranhos, apressados, caminhando em direção à nada.

=>você não entende.
Ninguém entende.
...é estranho.

Numa fração de segundo, não há mais motivo para tal.
(Não há razão).
Tanto tempo nós gastamos, não produzimos absolutamente nada.

Falo coisas inúteis, como sempre.

Palavras soltas, vomitadas numa montanha russa
de pensamentos.
e continua, sempre continua...

...Dias cheios, vidas vazias...


"Ai, que bom se eu ouvisse o meu canto por aí
Por isso, meu violão prefere emudecer
E vem pedir perdão por não poder cantar
Que, hoje, amor, melhor é não cantar."


( Canção de não cantar - Elis Regina )